segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Características, Estrutura e Crise do Feudalismo

Servos medievais trabalhando em colheita
1 - Introdução:
É sabido que a Idade Média é um dos períodos históricos mais longos, compreendido entre 476 e 1453, quase um milênio de história marcado por um único modo de produção: o Feudalismo. A Idade Média divide-se em dois momentos distintos, chamados de Alta Idade Média (século V a X) e Baixa Idade Média (séculos XI a XV). É neste primeiro período que inicia o processo de formação do sistema feudal, enquanto que no segundo localizamos o apogeu e crise do mesmo.

2 - Estruturação Feudal:
É bom deixar claro que o sistema Feudal não foi exclusivo da Europa, apresentando semelhantes pelo restante do mundo. No entanto a Europa era praticamente dominada por ele, sendo raríssimas as áreas que não detinham esse modo de produção.

As origens estruturais do feudalismo podem ser encontradas na relação entre os traços econômicos e sociais das sociedades Romana e Germânica, no fim do Império do Ocidente.

Da sociedade romana, derivaram o sistema de vilas que deu origem aos feudos (propriedade típica do período: tripartite, era uma grande extensão de terra pertencente a um senhor, que concedia pedaços de sua terra para os servos plantarem e produzirem os alimentos necessários à sua sobrevivência. Porém, boa parte de sua produção tinha que ser destinada ao senhor através de impostos); as relações de colonato, que algumas modificações originaram as relações de servidão; e o cristianismo, que determinou a cultura feudal.

Já a sociedade germânica foi responsável por incorporar a economia agropastoril; o comitatus, que resultou nas relações de suserania e vassalagem; a descentralização política e o direito consuetudinário, baseado na tradição e nos costumes e não na lei escrita.

No entanto, a concretização do feudalismo deu-se somente com as invasões muçulmanas, no século VIII, e dos normandos e magiares (Húngaros), no século IX.

Estrutura Social
3 - Características:
As principais características do sistema feudal serão resumidas em um pequeno quadro apresentado abaixo:
































FEUDALISMO











Econômicas


Economia
essencialmente agrária, natural e autossuficiente: produzia-se para consumo
imediato.





Trabalho
regulado pelas obrigações servis, fixados pela tradição e pelo costume.
(impostos)


Corveia


Banalidades


Mão-morta


Talha


Formariage





Políticas


Poder político
descentralizado. O poder era local: cada domínio feudal era independente, ou
seja, cada feudo era governado pelo seu senhor.


Relações entre a
nobreza feudal baseadas nos laços de suserania e vassalagem: tornava-se
suserano o nobre que doava um feudo a outro, e vassalo, o nobre que recebia o
feudo.





Sociais


Sociedade rural e
estamental, dividida em três estamentos ou ordens sociais: clero, nobreza e
campesinato (servos de gleba e vilões).


Imobilidade
Social (era praticamente impossível a ascensão de classes).








Culturais


Cultura
teocêntrica, isto é, todo  o poder
político girava em torno da autoridade religiosa, da fé.


Predomínio da
igreja, que determinava o modo de pensar e de viver da sociedade.


Condenação pela
Igreja dos juros (usura) e do lucro.


Fenômenos
naturais explicados pela fé e pelo misticismo.


4 - Surgimento da Burguesia
No início do feudalismo existia apenas um pequeno comércio. As estradas eram poucas e suas condições de tráfego eram péssimas. Os senhores feudais cobravam amargos pedágios dos mercantes que precisassem passar por suas terras. Além disso, cada região tinham uma moeda diferente o que dificultava o comércio.

Aos poucos, com o desenvolvimento do artesanato, as trocas comerciais entre feudos foram se intensificando, e a transferência de produtos aumentando. Eram formadas feiras nos cruzamentos de estradas, perto dos castelos e em grandes cidades.

Alguns servos abandonavam seu trabalho agrícola e passavam a se dedicar cada vez mais ao artesanato e consequentemente ao comércio. Desta forma empregos como ferreiros, sapateiros, marceneiros, tecelões, entre outros, foram crescendo.

Com o passar do tempo, conforme cresciam as rotas comerciais, especialmente, as terrestres, lá pelo término do século XI, estas feiras foram se transformando em pequenas cidades comerciais chamadas de “burgos”. Nos burgos começaram a surgir ricos comerciantes, que passaram a ser chamados de “Burgueses”, vindo daí a origem dessa palavra que aplicamos corriqueiramente nos dias de hoje.

Feira Medieval



5 - A Desintegração do Feudalismo
A partir do século XI, com o início das cruzadas, teve início a decadência do sistema feudal. Com a reabertura do Mar Mediterrâneo ao comércio europeu, o crescimento dos burgos introduziu modificações na sociedade feudal.

Agravaram-se as contradições entre o campo e a cidade. A produção agrícola já não atendia mais às necessidades das cidades, que cresciam velozmente. Inovações técnicas e a utilização de novas terras permitiram ampliar a produção nos séculos XI, XII e primeira metade do século XIII. Porém, a partir da última década do século XIII já não restavam terras para ocupar e as utilizadas estavam esgotadas, gerando baixa produtividade. Já ocorria uma defasagem tecnológica. Além disso, a substituição do trabalho servil pelo assalariado já estava ocorrendo, mesmo que de maneira muito lenta.

A falta de metais preciosos para a cunhagem de moedas, conjugada à carência de mercados consumidores, provocou distúrbios na atividade comercial. Para denegrir ainda mais a situação, a fome se alastrou pela Europa, principalmente em função da insuficiente produção agrícola.

Em função das péssimas condições de higiene e da desnutrição provocada pela fome, vários surtos epidêmicos sacudiram a Europa. O mais conhecido e devastador foi a Peste Bubônica, a chamada Peste Negra, que atingiu seu ápice entre os anos de 1347 e 1350.

Peste Negra

Simultaneamente à fome e à peste, a sociedade feudal do século XIV conheceu um grande número de guerras e revoltas. A mais longa e importante foi a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, motivada pela disputa em torno da região de Flandres e, também, pela sucessão ao trono francês.

Finalmente, as “Jacqueries” (rebeliões de servos contra os senhores feudais), também se estabeleceram como um fator crucial para a derrocada das estruturas feudalistas.

A partir do século XIV, com mais rapidez em certas regiões e menor em outras, as obrigações feudais foram desaparecendo, levando com elas o feudalismo, substituído gradativamente pelo capitalismo mercantilista que se consolidou com as grandes navegações do século XV.

Caravelas modernas criadas no fim da Idade Média

Edição: Áviner Viana (O Clã dos Bardos)
Referência: 
Apostila de História Geral – Colégio e Curso Exato – Prof. Manoel Boniolo

4 comentários :

  1. Adorei a matéria, mas não entendi direito o motivo da fome na Europa.
    Foi por uma questão climática ou falta de terras para cultivo?

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    1. As técnicas agrícolas não eram avançadas o suficiente para manter toda a população, especialmente nas cidades que dependiam da atividade comercial e esta, por sua vez, encontrava-se muito fraca devido às guerras, saqueadores e distâncias entre os centros urbanos.

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  2. Muito bom esse site, conseguiu esclarecer muitas dúvidas (mesmo eu já conhecendo bastante sobre o sistema feudal).

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  3. esse site é muito bom, me ajudou a entender muitas coisas e estudar para uma prova!!!

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